Fora de controle.
O fora do controle é algo que nos incomoda, traz desconforto e pânico. No entanto, há quem diga que quando nos encontramos perto da morte, abre espaço para a aceitar e nesse momento há uma viragem de reconhecimento da própria existência do corpo, em relação a si e ao mundo.
Corpo meu, é meu
Comes poder, vomitas conflitos e proliferas palavras sem pudor. Sentado tu nessa poltrona apontas o dedo de facilitismos. Jogo sujo ditas sem caminhar descalço. Brincas com os corpos que não são teus. Defines posturas somente tuas.
Morte, esta carta é para ti.
Termino esta carta para referir que quero ser uma árvore. Deixar algo em continuidade. Uma semente que é regada e nutrida pela degradação do meu corpo entre a terra que a envolve. Não para ser uma outra canção, mas para chegar à verdade absoluta, contemplativa.