Ana Ribeiro Ana Ribeiro

Fora de controle.

O fora do controle é algo que nos incomoda, traz desconforto e pânico. No entanto, há quem diga que quando nos encontramos perto da morte, abre espaço para a aceitar e nesse momento há uma viragem de reconhecimento da própria existência do corpo, em relação a si e ao mundo.

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Corpo meu, é meu

Comes poder, vomitas conflitos e proliferas palavras sem pudor. Sentado tu nessa poltrona apontas o dedo de facilitismos. Jogo sujo ditas sem caminhar descalço. Brincas com os corpos que não são teus. Defines posturas somente tuas.

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Nós.

Memórias que quero marcar a tua presença e a enaltecer sem continuar a chorar de mágoa, de angústia por já não te sentir nesta realidade. Acolhe-me, ele diz. Rega-me, ele responde. Nutre-me, ele sublinha. Pede uma continuação na germinação que deixou neste solo.

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Amor,

Admito em voz alta o que quebrou a minha alma. Enrolo o meu corpo em loucura. Só preciso de mim.

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Morte, esta carta é para ti.

Termino esta carta para referir que quero ser uma árvore. Deixar algo em continuidade. Uma semente que é regada e nutrida pela degradação do meu corpo entre a terra que a envolve. Não para ser uma outra canção, mas para chegar à verdade absoluta, contemplativa.

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